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2004-02-27
Posted
2/27/2004 10:49:11 AM
by GUILHERME PAES
E ele dormiu no sofá - Conto inacabado
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E toda vez que passava pelo quarto, tinha aquela sensação de que ela o observava.
Tanto tempo passara desde o dia em que ela partiu e ainda assim sentia doer o peito, como no exato momento em que a ouviu dizer que partiria naquela noite, não deixando margem para conversas, e realmente o fizera em silêncio.
Desde então dormia na sala, a cama era grande demais e trazia memórias demais, na verdade era como se sua cama guardasse todas as lembranças que tinha dela, objetos íntimos tem a capacidade de trazer-nos lembranças.
Já não sabia dizer há quanto tempo estava assim, nos primeiros dias contou as horas, nas primeiras semanas contou os dias, nos primeiros meses contou semanas. Mas o tempo sempre atropela quem fica parado quem fica parado observando, esperando ou lembrando, e atropelado era exatamente o que sentia ter acontecido.
Hoje não sentia mais saudade dela, sequer a amava mais. Sabia que não podia amar o que não mais possuía, na verdade sentia medo, um medo tão grande que consumia sua alma quando ia até o quarto pegar uma camisa. Tinha medo de lembrar como era tê-la, isso sim poderia machucá-lo.
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2004-02-26
Posted
2/26/2004 04:53:54 PM
by GUILHERME PAES
A Cidade dos Parasitas
Há pouco São Paulo fez 450 anos, e foi festejada, celebrada e colocada em evidência em discursos de demagogos e babacas de plantão.
Coloquei um post aqui embaixo, mostrando minha ojeriza à essa "ode de quem não se importa" feita por meios de comunicação e a parte menos paulistana da população de São Paulo.
Pois bem, venho agora, de maneira mais radical, criticar a relação que a maioria dos habitantes tem com a cidade, agindo como parasitas no habitat que lhes abriga.
São Paulo é cidade pra trabalhar, pra bater, pra correr, pra gastar. Como aquela roupa velha que vc usa quando vai fazer faxina, se estragar, tudo bem. A maioria dos cidadãos por aqui, não presta atenção no quanto despreza a cidade que lhes traz provento.
Cidade que se desdobra em ruas e avenidas, em esforços municipais para melhorar, enquanto o cidadão que aqui vive joga seu lixo na rua (ou nos rios), e esse é o mesmo cidadão que reclama da enchente, e quando vai à praia, joga seu lixo no lugar devido "pra preservar". É o mesmo cidadão que foge daqui no feriado, que não vê uma oportunidade de se ver livre daqui. Que vive a loucura cotidiana de São Paulo e nunca parou para apreciar e respirar o ar que ela te dá, e não cobra.
São Paulo está cheia de parasitas, de gente procurando um jeito de conseguir aqui o suficiente pra se mudar de vez, ou pra voltar pra terra onde nasceu com o bastante pra não ter mais que voltar. Esse é o pensamento passageiro de quem agride a cidade, agride a população e me agride.
Quem já passou um feriado aqui, e saiu de casa e soube respirar o ar da cidade desinchada, pode fazer um passeio tranquilo, pode tomar chuva sem correr pra não se molhar, esses são os cidadãos que merecem essa cidade que tanto faz por nós, e todos a tratamos como uma prostituta de luxo.
Um dia, quando São Paulo acabar em cinzas, serão esses cidadãos que saberão, em palavras ou sentimentos, traduzir o que é (ou foi) mesmo essa cidade, e não esses demagogos-migrantes-nojentos que ficam por aqui, "festejando" o que não sabem o que é. Cidadania começa em casa, e se voce mora em São Paulo, deveria aprender a respeitá-la.
Xenofobista ?? Não. Eu quero mais é sair de São Paulo, antes que acabem com ela.
2004-02-18
Posted
2/18/2004 02:13:37 PM
by GUILHERME PAES
Do tangível
Uma breve discussão, ocorrida em comments, com a amiga da península ibérica Érika, foi iniciada com um post ali embaixo onde eu afirmava: "O que é, não admite refutação".
Afirmação que ela inteligentemente contestou dizendo "O que parece, pode não ser".
Isso rendeu-me alguns outros comentários de pessoas falando sobre "não conseguir se acomodar" ou "não conseguir se conformar".
Bom, vou discorrer (brevemente) sobre essa visão recente que tive, que me fez chegar nessa afirmação.
Tudo na vida pode ser dividido entre "mutável ou tangível" e "imutável ou intangível".
Tangível é tudo relacionado a nós ou outros, o que podemos interferir, direta ou indiretamente. Qualquer coisa que, independente do esforço que faremos, podemos mudar ou agir para iniciar uma mudança. Pessoas e aspectos diretos de sua vida são tangíveis, rotinas, filosofias e pensamentos, até mesmo aspectos maiores e mais distantes como governos podem ser mudados com muito esforço (às vezes são necessários esforços simultâneos de muitas pessoas).
É tangível também, tudo o que não esta terminado ou definido. Mesmo que não esteja a seu alcance, se ainda não foi dado como definitivo, alguém ou algo pode mudar. Desta maneira, todas as vidas humanas são tangíveis, por nós, por outrem ou pela natureza caótica.
Intangível, são as coisas definidas, as que já aconteceram, ou as constantes universais. Coisas que, dentro de um âmbito restrito, estão acontecendo mas já possuem um final previsto ou assegurado, são intangíveis. Como nossas vidas (sim, e isso não é uma contradição), todos nós iremos morrer, cedo ou tarde, e não importa quanto tempo viveremos, ninguém viverá mais do que uma vida.
É intangível a manifestação de certos acontecimentos, ou a maneira como procedem certos aspectos da vida de todos nós. Assim como são intangíveis, as consequências de atos passados, coisas que fizemos e já não podemos mudar, e hoje afetam direta ou indiretamente nosso presente.
Não é uma questão de acomodar-se ou ser passivo, mas de aprender a conviver com a vida e com as coisas que voce não poderá mudar. O pensamento utópico de que uma pessoa pode mudar o mundo, tal qual poderia alguém controlar e lutar para mudar todo e qualquer aspecto de sua vida, é uma visão baseada em modelos que não servem no real, e de fato, apenas fazem por trazer frustações e decepções quando percebemos nossa pequeneza em certos aspectos, enquanto humanos e imperfeitos.
Enfim, saber viver é não só saber mudar e e evoluir, mas também aprender a aceitar e digerir.
P.S.: É lógico que posso mudar meu pensamento ou filosofia de vida, mas hoje, é assim que eu vejo o mundo.
P.S.: Esse post tem pouco a ver com esse blog, e foi escrito, originalmente para O TAO DO BLOG, onde está também publicado.
2004-02-13
Posted
2/13/2004 03:00:25 PM
by GUILHERME PAES
Soneto inacabado
Ou "O fim do verão em quartetos".
Não nasci para viver o verão,
com suas rubras cores pintado.
Fui de sombras e luz desenhado,
com as cores de outra estação.
Janeiro é o mês do passado,
a entresafra da vida então.
Já em março recebo a benção,
de deixar fevereiro afogado.
2004-02-12
Posted
2/12/2004 09:13:41 AM
by GUILHERME PAES
Do que é meu
Sras e Sres do público, venho até o picadeiro dar algumas explicações.
A quem já lia, comentava e já era querido neste meu espaço, não se assustem, logo passa e tudo volta ao normal.
Aos novos vistantes algumas regras.
1. O BLOG é meu, eu falo o que quero e como quero.
2. Quem tiver algo interessante para dizer, seja concordando ou discordando do que digo, sinta-se livre para comentar.
3. Eu não sou um "BLOGSTAR" e colocar link para o seu blog nos meus comments não te fará famoso.
4. Eu costumo visitar os blogs de pessoas que fazem comentários aqui, por curiosidade ou por gostar do que essas pessoas escrevem, mas NUNCA irei vistar o blog de ninguém que veio aqui só pra pedir link e visita.
5. Gente que fala naquele estranho dialeto adaptado do portugues para blogs (tipuu axxim), por favor, queiram se retirar e não deixar comments.
6. Discordar é preciso e eu gosto de pessoas com opiniões diferentes das minhas, contanto que essas pessoas saibam justificar o que dizem razoavelmente, não venham aqui com ofensas ou críticas à minha maneira de pensar e dizer, sem fundamentar o que dizem.
7. E por último, a porta da rua é a serventia da casa. Eu não pedi e não queria a indicação no BLOG OF NOTES. Gosto do meu blog com as visitas que tinha, poucas pessoas interessantes, com algo bom para dizer, e com quem é agradável manter uma pequena argumentação.
Andy Warhol disse "No futuro, todo mundo terá seus quinze minutos de fama". POis bem, quem acha que visita e comentário em blog é fama, pelo amor de Deus vai fazer análise.
2004-02-10
Posted
2/10/2004 11:52:11 AM
by GUILHERME PAES
Censura - Vai ser melhor pra você
Neste domingo fui assistir "21 gramas", o novo do SEAN PENN.
Vou falar pouco sobre o filme por um motivo justo, o filme é ótimo. Tem um clima pesado e cru, choca um pouco, mas o tema é bom, bem desenvolvido, a narrativa é não-linear e muito bem feita, as atuações (especialmente o Benício Del Toro) são absurdas e é muito bem dirigido. Uma murro na boca do estômago, mas vale o preço do ingresso e as horas de perguntas na cabeça depois. Portanto sugiro aos interessados que assistam.
O problema todo (e o motivo pelo qual escrevo) é que o filme, assim como alguns outros a que tive oportunidade de assistir, exige um pouco de raciocínio, bem como uma cultura geral um pouco além da média (que é rídicula digamos de passagem), bem como exige atenção à detalhes para entender a narrativa e deixar que a história te toque, por cima da carapaça de violência e realidade do filme.
Tive que aguentar, durante toda a sessão, uma senhora conversando com seu cônjuge, fazendo comentários absurdos, sobre coisas que não eram relevantes na história. Não tenho problemas com pessoas comentando o filme, o problema é que a percepção da senhora era tão limitada que a cada observação imbecil (que ela julgava sagaz, é óbvio) eu tinha vontade de enfiar o saco de MM's que eu segurava, goela abaixo da cidadã.
E essa citada, foi apenas uma de três ocorrências com relação à comentários tão desprezíveis que quase estragam o filme.
Acho que deveríamos inventar um outro tipo de censura, pessoas que não vão se esforçar para entender ou que não possuem capacidade cognitiva suficiente para acompanhar a película, deveriam ser encaminhadas à sessões de filmes adequados à sua vontade/capacidade. Algo bem como em "Admirável mundo novo" do Aldous Huxley.
Chega a ser patético ver um garotão-estilinho-playboy, com pinta de bacana, falando bobagens absurdas sobre o filme, que qualquer criança de 12 anos que tivesse prestado atenção ao filme poderia corrigir.
Sei que esse meu texto é meio GESTAPO, mas putaquepariu, é foda ter que engolir esses comentários. O pior de tudo é perceber que o nível de instrução de nossa população é de dar pena, mesmo as pessoas que (teoricamente) têem acesso à educação e cultura, hoje não mais dão valor para ela.
Tudo isso é culpa da tão falada política "bunda-também-é-cultura" instituída pelos meios de comunicação em massa desse país imbecil, que contaminou de tal maneira a população, que estamos formando uma geração de clones de personalidades como Luciano Huck, Angélica e Sandy-e-Junior.
Que país pode ter como ídolos pop-culturais e divulgadores gente como a Luciana Gimenez e a Adriane Galisteu ??
Que merda.
2004-02-05
Posted
2/5/2004 02:05:05 PM
by GUILHERME PAES
Do impassível
O que é, não admite negação.
E eu que o sei, não refuto,
resignado e discreto, em luto,
aceito as coisas como são.
2004-02-02
Posted
2/2/2004 12:43:07 PM
by GUILHERME PAES
Economizando energias
Eu transito entre o real e o ilusório.
Passo de ser a não-ser em duas ou três palavras.
Eu gasto palavras e lampejos de inteligência em coisas desnecessárias.
Eu preciso aprender a me economizar, e a me reciclar também.
...Esse é um post pela metade, sobre pensamentos que não concluí...
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