Limonada

2004-09-10


Madrugada......
As madrugadas são como templos de solidão.
Vazias do sentido das vidas mundanas.
Madrugadas não dão satisfação, não precisam de explicação.
Passar a madrugada sozinho multiplica o tempo.

....Mas RADIOHEAD no último volume ajuda a melhorar....


2004-09-03


A Saudade e o fim da sexta-feira
A eternidade que tomam alguns minutos
passando por aqui, um-a-um, zombando.
Enquanto eu sigo o tempo contando,
num regressivo desespero, a esperar
que passem as horas, que insistem em nos separar.


Mais dos mesmos....
...E domingo tem show do Los Hermanos no BEM BRASIL. quem quiser me ver ao vivo, no gargarejo, é só sintonizar na cultura às 15:30, eu vou estar usando um girassol na lapela......
E quem quiser ir junto é só me achar até o sábado e se convidar pra ir comigo.


2004-09-01


discursando sobre o cinema brasileiro

Bom, receberei um série de críticas pelo que escreverei a seguir, mas como não estou aqui pra explicar e sim pra confundir, vou falar um pouco sobre minhas recentes experiências com o "Novo Cinema Brasileiro".

Nunca apreciei muito o cinema nacional, é lógico que essa minha opinião foi influenciada pela exposição, ainda em minha tenra adolescência, ao que houve de pior nas produções brazucas nos anos 70 e início de 80. Pornochanchadas do cacife de "Dama do Lotação", "Bonitinha, mas ordinária" e "Os Sete Gatinhos", que fizeram por incutir em mim uma ojeriza pelas produções brasileiras da época. Eu não gosto da narrativa desses filmes, do tom apelativo, dos temas mal-desenvolvidos, das desculpas esfarradas pra mostrar gente pelada ou cenas de sexo toscas ..... Isso nunca me divertiu, e meu conceito básico sobre cinema é que ele é feito para o entretenimento, mesmo como forma de expressão de arte, o cinema (assim como um bom livro) são feitos para entreter.

Na verdade, alguns anos depois, tendo contato com Nelson Rodrigues, sob a esperança de ter ouvido que ele era "genial", detestei tudo o que li, vi e ouvi. Pelos exatos mesmos motivos que me fizeram tomar como genericamente ruins as pornochanchadas do cinema setentista brasileiro. E quando expresso isso ouço brados de "imperialista" ou coisas do gênero, ou bordões do tipo "Voce tem que dar valor ao que é produzido no Brasil". Ceeeerto....Eu dou valor ao que eu acho bom, e o cinema nacional sempre ficou devendo. Já fui rebatido com a contra-argumentação "Mas o cinema não tinha incentivo". Ceeeeerto....Assim como o teatro e a música popular, que ainda que tenham produzido coisas ruins, muita coisa boa saiu desse meio. Até mesmo os documentários nacionais, categoria mais marginal que menino que pede dinheiro em farol, produziu coisas excelentes de forma completamente independente, então pra mim isso é conversa pra boi dormir.

Com o surgimento do "Novo Cinema", essa geração toda de gente inteligente filmando temas "modernos" e "cosmopolitas", antenados com o "cinema-arte" mundial e coisas assim, é lógico que novamente fui pressionado a gostar do cinema nacional, mas num bravo gesto de protesto, preferir não ter contato com o que julguei que não seria bom. Isso mesmo, fiz "juízo de valor" prévio de filmes que todo mundo aclamava como "obras-de-arte", porque eu não preciso que ninguém me ache inteligente, ou mesmo tolerante.

Mantive distância de produções que exacerbam a miséria humana, expondo e exagerando nossas feridas mais profundas para os aplausos de críticos de arte pedantes e demagogos nos festivais franceses, como é o caso de "Cidade de DEUS" ou "CARANDIRU". Mas ocorreu de, por insistência de minha menina, eu me interessar e finalmente assistir uma produção do "Novo Cinema"que ela queria muito ver. Assisti "Lisbela e o Prisioneiro". Aí está, um filme agradável, divertidíssimo, com personagens e arquétipos interessantes e uma história ótima. É lógico, a narrativa do Guel Arraes se retroalimenta, se repete, mas é gostosa de assistir de qualquer maneira. Uma nova gama de possibilidades se abriu, e me senti compelido a conhecer algo mais do "Cinema Novo".

Veio então a chance e assisti "O Homem que Copiava", sob os fortes comentários de "fabuloso".Bom, o filme tem uma narrativa de linha do tempo ótima, personagens interessantes e é bem dirigido. A história é boa, mas foi mal amarrada, o roteiro teve remendos claros que depuseram contra o filme, a produção não é das melhores, mas as atuações a narrativas compensaram. Resumindo, muito bom o filme, mas nada excepcional.

No final de semana passado fui então assistir OLGA. Sabendo já da qualidade do livro, tendo assistido à um trailler que me impressionou, e lendo na imprensa críticas como "É uma obra-de-arte", sem contar com o forte marketing que a Globo vem fazendo do filme.

Ceeeeerto.....Em poucas palavras, o filme é lastimável. Ao contrário do "Homem que copiava" a produção é milionária, a imagem é linda, o som é perfeito e blábláblá. Mas correndo exatamente no sentido contrário do outro filme, qualidade técnica não faz um bom filme. E vou criticar tin-tin por tin-tin, porque eu paguei o ingresso do cinema.....

Os atores estão péssimos, mesmo a elogiada Camila Morgado, só consegue uma atuação mediana nas cenas viscerais, e exagerar é a parte fácil numa atuação, de resto ela passa o filme todo carrancuda ou chorando. O filme é mal dirigido, a história é longa, e para permitir que fosse contada no espaço de um filme, o diretor usou cenas com cortes rápidos, mas ele não soube amarrar a história. É tudo muito mal explicado e o filme não faz questão de explicar. O foco do filme é o mesmo das novelas da Globo, Um romance com uma guerra ocorrendo em volta, como outras tantas produções sofríveis de novelas e afins. O maniqueísmo dos personagens é péssimo, tomando todos como "Comunistas vermelhos salvadores do mundo" ou como "Malfeitores de direita servidores do diabo" (esclarecendo: eu sou defensor de ideologias de esquerda). A história se desenrola em cerca de 20 anos, mas é tudo explicado como se fossem apenas alguns dias, os atores permanecem com as mesma caras do começo ao fim do filme e, infelizmente, com as mesmas atuações pífias. Resumindo, o filme é TERRA NOSTRA feito para o cinema. O oportunista Jaime Monjardim, para não perder a viagem, criou algumas cenas de "horror-de-guerra-em-campo-de-concentração" padronizadas e mal montadas, mas isso todo mundo já sabe e já viu em outros filmes bem melhores, ou seja, nem isso justifica o ingresso.

É uma pena mesmo a Globo tentar nos convencer que isso é cinema, pois não é. E eu não vou entrar no discurso anti-imperialista que sempre sustento contra eles. Mas o fato é, vou ficar um bom tempo longe de produções nacionais por causa de filmes como esse.


.........
Sumi de novo.....


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