Limonada

2005-01-21


E ele dormiu no sofá - Conto inacabado
...
E toda vez que passava pelo quarto, tinha aquela sensação de que ela o observava.
Tanto tempo passara desde o dia em que ela partiu e ainda assim sentia doer o peito, como no exato momento em que a ouviu dizer que partiria naquela noite, não deixando margem para conversas, e realmente o fizera em silêncio.
Desde então dormia na sala, a cama era grande demais e trazia memórias demais, na verdade era como se sua cama guardasse todas as lembranças que tinha dela, objetos íntimos tem a capacidade de trazer-nos lembranças.
Já não sabia dizer há quanto tempo estava assim, nos primeiros dias contou as horas, nas primeiras semanas contou os dias, nos primeiros meses contou semanas. Mas o tempo sempre atropela quem fica parado contando, esperando ou lembrando, e atropelado era exatamente o que sentia ter acontecido.
Quem dera não lembrasse, não sentisse. Hoje não sentia mais saudade dela, sequer a amava mais. Sabia que não podia amar o que não mais possuía, na verdade sentia medo, um medo tão grande que consumia sua alma quando ia até o quarto pegar uma camisa. Tinha medo de lembrar como era tê-la, isso sim poderia machucá-lo.
...


2005-01-12


Verão revisitado
Postei isso em Janeiro passado, mas ainda é válido...

Não nasci para viver o verão,
com suas rubras cores pintado.
Fui de sombras e luz desenhado,
com as cores de outra estação.

Janeiro é o mês do passado,
a entresafra da vida então.
Já em março recebo a benção,
de deixar fevereiro afogado.


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