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2007-07-27
Posted
7/27/2007 09:46:15 PM
by GUILHERME PAES
.eu.
Assim mesmo, eu sem maiúsculas...
Não aquele Eu imponente e com uma grafia impecável.
Tampouco um EU assoberbado, em letras garrafais.
Aquele eu, sem grafismos e sem firulas.
Com aquela letra de forma meio caída, meio garrancho.
O jeito como eu me escrevo, descrevo.
A exata percepção do que sou eu.
Acho que essa é a vantagem, pequena, que eu tenho.
Sei quem eu sou, onde estou e como escrever meu eu, assim, sem nada de mais, nem nada de menos.
Eu, que na língua mãe é pronome, e na intimidade é maisquenome, é íntimo-pessoal-intransferível.
Eu e tudo mais que eu quiser, que eu já fui, que eu já quis.
Eu como eu sempre fui e todas as mudanças que eu vivi, todos aqueles "eus" que eu não sou mais.
Aquela primeira pessoa, primeiro de eu pra mim, depois o resto.
Eu que não tem plural, é um por definição.
Porque nós, não é mais eu. É outra coisa qualquer mais eu.
Eu que não é seu, nem meu, é eu...
2007-07-12
Posted
7/12/2007 04:04:28 PM
by GUILHERME PAES
O retorno de Saturno
Hoje o primeiro parabéns veio do despertador...
Pra ser exato do meu telefone celular, que eu uso como despertador. Tocando a versão em "pin-pin-pins" de "abismo de rosas", o meu aniversário começou caloroso como a manhã gelada de inverno na qual eu me descobri quando sai da minha cama quentinha.
Coloquei o "despertador" pra tocar 25 minutos mais cedo, quis levantar antes, estar desperto, com a mente clara e tomar um banho quente um pouco mais demorado. É um luxo que não me dou todos os dias, mas hoje eu me permiti demorar 15 minutos no chuveiro, sair do banheiro sem pressa e ficar 5 minutos pensando na vida embrulhado no
roupão antes de me trocar e sair pro trabalho.
Aliás, como tem acontecido nos últimos tempos, senti como se o mundo me esperasse de garfo e faca da porta pra fora, pronto pra devorar mais um pouquinho da minha alma. Manhã congelante, perspectiva de muito trabalho (muito mesmo) e de muita cobrança, tropecei logo no portão de casa e já comecei a sentir uma vontade bem comum ultimamente...a de que o dia estivesse acabando...
E fiquei no ponto de ônibus, já fazia uma hora que eu estava acordado (e ainda eram 6:30) e o único parabéns que eu havia recebido continuava sendo o do despertador, minha cabeça tava devagarzinho, mas eu pensava que esse deveria ser o pior aniversário que eu me lembrava.
Tanta correria...e a impressão de que os últimos seis meses me engoliram, nem os vi passar. Só consegui pensar em como eu queria agora as férias que irão começar daqui um mês...
Pensei em minha idade e me veio na cabeça uma música do Legião Urbana justamente sobre este fatídico número de anos "29"...cantarolando sem muito pensar sobre o que a música dizia parei num pedacinho que me chamou a atenção como nunca antes..."Aos vinte e nove com o retorno de Saturno, eu decidi começar a viver".
Quando eu ouvi a canção pela primeira vez eu tinha uns 17 ou 18 anos e não fazia idéia do que era o tal "retorno" e imaginei ser alguma piração do Renato Russo. Uns anos depois, e eu nem sei dizer quando, eu li sobre a tal volta que o planeta Saturno faz em nosso "mapa astral", que se completa em ciclos de 28 anos e um pouquinho (quase 29).
Eu não tenho gabarito pra explicar tudo isso, não sou especialista e também não sou muito de astrologia...Mas fez tanto sentido que eu lembrei até do que li anos atrás:
"Completam-se ciclos de 28 anos que representam transformações profundas e a passagem de toda uma fase da vida, os retornos de saturno são períodos transitórios de característica complexa e que trazem sentimentos ainda mais complexos, são nesses períodos que decidimos, mesmo que inconscientemente, quem seremos pelo próximo ciclo de 28 anos"
Minha cabeça ficou vazia alguns minutos depois de lembrar disso...realmente não consegui assimilar de primeira, mas o vento gelado cortando meu rosto me acordou de um forma bem diferente do que o despertador o havia feito antes.
É o final do meu "retorno de Saturno"...Eu tou formando hoje o cara que eu vou ser por mais 28 anos. E por mais que eu não seja uma cara com os pés firmes na astrologia, a leitura de alguns textos sobre esse período que rastreei no Google, durante o dia de hoje, começaram a me trazer uma estranha sensação de "dejá vu".
Eu não quero ser, pelos próximos 28 anos, esse cara cansado, abatido, reclamão, vivendo em "stand-by", que eu fui nos últimos meses. Eu quero eu mesmo, como toda a miríade de coisas que eu posso ser um dia. Mas quero ser pleno em tudo. Sem meias-palavras e sem sacos-cheios e sem queixar-me das coisas e não esse "fantasma-que-é-a-metade-de-tudo" que eu me sinto hoje.
A vida não é fácil pra ninguém, eu tenho exemplos de pessoas em várias fases da vida e posso afirmar que todo mundo tem problemas, dificuldades e contra-tempos mil...
Mas não quero passar os próximos 28 anos vivendo no clima "A vida é cruel".
Preferi, de forma introspectiva, pensar e tudo o que tenho de bom. no passado, no presente e no futuro. Todas as grandes memórias, todas as perspectivas positivas...e transformei isso num desejo, um desejo de estar bem. De mim para mim mesmo...
Eu quero o que é bom, escolho olhar as boas coisas, prefiro tirar as fotos que ficarão na minha memória usando sempre o melhor ângulo. E decido que a partir de hoje, do final do meu "retorno de Saturno" quero minha vida do jeito que ela é, e do jeito que ela será (mesmo com todas as incertezas), mas eu vou olhar pra minha vida sempre pelo melhor ângulo.
E reitero o ditado que uma pessoa de um passado longínquo sempre repetiu e nunca foi tão claro como agora...
"A vida é um VIDÃO !!!"
2007-07-04
Posted
7/4/2007 10:00:21 AM
by GUILHERME PAES
Ausência
Precisei me ausentar por motivos de força maior...
Pela pura necessidade de conseguir escrever o post abaixo...
Não podia escrever mais nada enquanto não conseguisse postar sobre o assunto abaixo, e estava com um daqueles odiosos "bloqueios".
O post abaixo não é o mais bonito, interessante ou divertido que já escrevi, mas com certeza, é um dos mais relevantes, e é praquela mesma menina de quem sempre falei neste blog, e que frequentemente está por aqui comentando.
É isso, agora volto a escrever com aquela frequencia habitual...10 dias com sorte...
Posted
7/4/2007 09:56:12 AM
by GUILHERME PAES
Tão pouco tempo
Um dia, ele decidiu que não queria mais namorar.
Estava bem assim, solteiro, no auge de sua juventude, independente.
Queria apaixonar-se por todas as garotas, trocar de amores a cada duas semanas.
Esgotar o sumo do que a vida podia lhe oferecer assim, sem compartilhar mais do que alguns momentos com cada pequena paixão que cruzasse o caminho.
E seguiu assim por quase um ano desde sua decisão...E estava bem, e feliz...
E num desses esbarrões da vida, num ônibus incidental, que ele tomava toda manhã, morrendo de sono e cheio de sentimentos pouco nobres que todos temos pelo mundo quando acordamos cedo para trabalhar, foi num desses dias tão comuns que ele a viu dormindo, ali no ônibus mesmo.
(Sabe aqueles cliques que a gente tem de vez em quando...Algumas pessoas têm na hora que escolhem o número do bilhete de loteria, outros quando inventam algo...Tudo começou com um clique).
Ele ficou com a imagem daquela menina o dia todo na cabeça, seu cabelo curtinho, o brinco, os lábios delicados...Não era uma paixão, era apenas aquela imagem fixa na cabeça...Ah se ele soubesse desenhar...
À tarde lá estava ela, no ônibus, agora sorrindo, conversando com alguém...Agora sim era paixão, que avassaladora arrebatou-o. Ele estava flechado, ferido, doído...como toda paixão que importa.
E houve toda uma história grande demais pra ele contar num blog, bonita demais pra se resumir, e que portanto, não ficará registrada aqui.
O que importa é que ele a conquistou um dia, ela o conquistou e reconquistou várias vezes, suprindo aquela vontade dele de se apaixonar tantas vezes.
Quando ele menos queria, menos esperava, estava lá, pensando em namorar...
E 6 anos depois, ele está aqui, pensando em casar..
E apaixonando-se por ela, frequentemente...Contrariando tudo o que dizem as revistas, os especialistas e os parentes...
E 6 anos parece tão pouco tempo...
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