Limonada

2007-09-20


O potencial desperdiçado
Eu ensaiei uns 10 ou 15 posts...
Eu queria escrever sobre tanta coisa que eu vi.
Postar as fotos, falar de todo o mundo que tem pra lá da porta.
Mas não....não consigo falar.
Me sinto mudo...
A verdade é que é um choque descobrir as coisas que a gente descobre quando sai do Brasil, e o choque não é quando a gente chega lá, mas quando abre o jornal na volta pra casa, quando vai na padaria, na fila do cinema, no show daquela banda e no capítulo da novela...
É bobagem eu sair bradando as maravilhas de se viver num país organizado e blábláblá...
Vou falar é do que somos ou não somos...
Os Europeus não são mais "espertos" que os brasileiros, pelo contrário, eles costumam travar em situações triviais, e acham nossa capacidade de improvisar assustadora.
Os Europeus não são mais inteligentes que os brasileiros, se equipararmos as populações pelo nível de escolaridade, é tudo mais ou menos igual. A diferença é que uma parcela maior da população deles tem acesso a uma boa formação escolar.
Os Europeus não são mais educados que os brasileiros, pelo contrário, são bastante preconceituosos e em determinadas regiões ufanistas ao ponto de receberem mal os visitantes.
Os Europeus têem, na verdade, um pingo de boa vontade, respeito e de boa índole a mais que nós...e só.
O Brasil é o que é porque o que falta à nossa população não ensinamos na escola, no jornal ou na novela. É algo absurdamente arraigado em nossa cultura coletiva.
Nos falta boa vontade de fazer as coisas bem feitas. Nos falta a ambição de sermos uma "sociedade melhor" e não querer que "a minha vida seja melhor". Nos falta a boa vontade coletiva. Nos falta o respeito por tudo, instituições, pessoas, vizinhos, idosos, crianças, monumentos, patrimônio público e pela nossa própria história.
Nos falta boa índole, de forma assustadoramente coletiva, e isso não se muda com dinheiro do governo nem com investimento privado, não se muda com educação na escola nem com livros em bibliotecas, não se muda com uma guerra civil armada...não...o Brasil precisava de uma revolução social, precisava aprender a ser sociedade civil, a ser coletivo, a pensar no todo antes de pensar no individual.
Isso nos faria o maior país do mundo, independente de nossa economia...


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